Entrevista com Rossana Mirabal (Venezuela)
03:52
por Aerith
BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como
tudo começou para você?
Começou quando eu deixei de procurar
um estilo de dança que me apaixonasse. Eu sempre gostei de dançar, participei
de cias infantis de dança quando era uma menina e quando comecei a identificar
os meus gostos musicais favoritos, o meu modo de ser e afinidades, começou uma
briga entre a dança e essa identificação. Comecei a procurar um estilo que
realmente tivesse a ver com a música que eu curtia, mas nenhum me convencia, ficava
com vontade de dançar, mas nada era suficientemente bom para eu me dedicar por completo. Durante
vários anos parei de procurar e me dediquei completamente à faculdade e, quase
chegando a minha formatura, conheci a SOMBRAS TRIBAL e a Akzara Martini. E acho
que o tribal me encontrou.
Eu conheci o Tribal em um evento de dança em Caracas (Venezuela). Na verdade não era só de Tribal, o evento envolvia muitos estilos de dança e entre eles o tribal fusion. Conheci o tribal fusion antes que o ATS. Imediatamente fiquei apaixonada, pesquisei e comecei fazer aulas com Akzara.
Eu conheci o Tribal em um evento de dança em Caracas (Venezuela). Na verdade não era só de Tribal, o evento envolvia muitos estilos de dança e entre eles o tribal fusion. Conheci o tribal fusion antes que o ATS. Imediatamente fiquei apaixonada, pesquisei e comecei fazer aulas com Akzara.
As professoras que mais marcaram no
meu aprendizado foram varias, e não é difícil lembrar ou pensar quais são porque
as levo sempre comigo.
![]() |
| Akzara e Rossana |
![]() |
| Rossana e Ishtar Layali |
Outra professora é a Andrea Felce (ou Ishtar Layali), quem sempre teve as palavras corretas no momento exato para
eu manter a força quando mais precisava e ainda me acompanha.
E elas duas junto são a chave
perfeita e o reflexo do que significa trabalho profissional.
BLOG: Além da dança tribal você já fez ou faz mais algum tipo de
dança? Há quanto tempo?
Sim,
além do tribal fusion, fiz aulas de ballet e bellyfunk por dois anos; dança do
ventre por um ano; hip hop há três anos e até hoje estou fazendo. E jazz e dança contemporânea comecei há menos
de um ano, mas estou adorando e continuo fazendo atualmente.
BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais
inspirações?
As
minhas primeiras inspirações e acredito que todo mundo teve alguma vez as
mesmas, foram Rachel Brice e a April Rose. Elas, embora não estejam fazendo
dark ou urban fusion, para mim são incríveis porque eu sou apaixonada pelo
máximo controle corporal e acho que elas conseguem sempre superar as minhas
expectativas. São incríveis e sempre vou admirar os formatos delas.
BLOG: O que a dança acrescentou em sua vida?
Há dois anos atrás eu não teria uma resposta
clara para essa pergunta, mas hoje acredito com toda firmeza que a dança acrescentou o que eu realmente
sou e quero ser. Ampliou o meu modo de ver a vida, o jeito de interagir com as
pessoas e me ensinou a respeitar as personalidades de cada ser humano. A dança
hoje para mim é tudo, um estilo de viver.
BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte?
Sem
nenhuma dúvida o que eu mais aprecio desta arte é estar rodeada de pessoas que
amam, respeitam e acreditam nos mesmos princípios que eu. Pessoas que
colocaram o seu valor espiritual por acima do valor material.
BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal?
Como foi isso?
Eu
não poderia fazer uma denúncia sobre os preconceitos até agora, porque sempre
que tenho chegado a qualquer espaço de dança as pessoas tem mantido uma conduta
bastante simpática comigo. Talvez algumas miradas com desconhecimento, mas
nada grave nem pessoal.
BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na
dança?
Até
agora, a minha única frustração foi quando tive que deixar Sombras Tribal, eu acho
que não estava pronta para deixar uma escola que virou a minha família, foi
difícil, mas acho que nunca teria estado pronta. Agradeço que ainda eles estão
me acompanhando em cada passo que eu dou na dança e na vida.
BLOG: O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação? Você acha que o tribal está livre disso?É uma pergunta de muito compromisso. Primeiro gostaria deixar claro que eu não me dedico à Dança do Ventre ou Dança Árabe, mas tenho compartilhado muito com bailarinas desse mundo, e também tenho conhecido de perto situações que até hoje prejudicam de certa forma a cena da Dança Árabe. Fazendo uma leve comparação , vejo dois destaques que fazem diferente à comunidade da Dança do Ventre da comunidade do tribal. A primeira diferença é o tamanho da cena. Acho um ponto muito a favor da Dança do Ventre contar com uma comunidade tão grande, mas, a diferença com a pequena comunidade tribal é a união. Originalmente o Tribal foi pensado e criado como uma tribo e traz com ele um pacote de princípios e éticas que acho que valem muito mais que qualquer quantidade de membros: o respeito, o apoio, o intercâmbio e a conexão das bailarinas de tribal, que geram uma energia que mantém limpa e equilibrada a comunidade.O ambiente no tribal está longe da competição, dos preconceitos, do individualismo e do protagonismo. Então, acho que se for possível aplicar essa filosofia baseada na união de tribo na dança do ventre ( na verdade, em qualquer outro estilo de dança), qualquer diferença ou situação que possa existir pode mudar notavelmente. E enquanto o Tribal manter as bases bem focadas e fortalecidas na irmandade, nenhum estilo ou grêmio pode afetar a cena, é um trabalho de todos os membros da cena, da nossa grande tribo.
BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas.
BLOG: O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação? Você acha que o tribal está livre disso?É uma pergunta de muito compromisso. Primeiro gostaria deixar claro que eu não me dedico à Dança do Ventre ou Dança Árabe, mas tenho compartilhado muito com bailarinas desse mundo, e também tenho conhecido de perto situações que até hoje prejudicam de certa forma a cena da Dança Árabe. Fazendo uma leve comparação , vejo dois destaques que fazem diferente à comunidade da Dança do Ventre da comunidade do tribal. A primeira diferença é o tamanho da cena. Acho um ponto muito a favor da Dança do Ventre contar com uma comunidade tão grande, mas, a diferença com a pequena comunidade tribal é a união. Originalmente o Tribal foi pensado e criado como uma tribo e traz com ele um pacote de princípios e éticas que acho que valem muito mais que qualquer quantidade de membros: o respeito, o apoio, o intercâmbio e a conexão das bailarinas de tribal, que geram uma energia que mantém limpa e equilibrada a comunidade.O ambiente no tribal está longe da competição, dos preconceitos, do individualismo e do protagonismo. Então, acho que se for possível aplicar essa filosofia baseada na união de tribo na dança do ventre ( na verdade, em qualquer outro estilo de dança), qualquer diferença ou situação que possa existir pode mudar notavelmente. E enquanto o Tribal manter as bases bem focadas e fortalecidas na irmandade, nenhum estilo ou grêmio pode afetar a cena, é um trabalho de todos os membros da cena, da nossa grande tribo.
BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas.
Bom, para mim, poder fazer cada dia
o que a gente ama, já é uma conquista,
mas poderia fazer alguns destaques e dizer que subir ao palco do lado da Akzara
tem sido várias conquistas para mim.Também recentemente teve outra conquista em
uma audição na qual participei para ser membro da FB Dance Company de Curitiba
(companhia de dança urbana e contemporâneo), e a última desse ano foi debutar
com a minha própria turma de tribal fusion no Teatro Fernanda Montenegro como
parte da escola de danças femininas Estúdio Flor de Lótus onde estou dando
aulas atualmente e que está se tornando a minha família. Essa é outra
conquista, sem dúvida.
BLOG: Como é o cenário da dança tribal na Venezuela? Pontos
positivos, negativos, apoio das cidades, repercussão por parte do público bem
como pela comunidade de dança do ventre/tribal?
Na Venezuela, hoje a dança tribal é
uma irmandade. Depois de anos de compartilhar palcos, escolas, aulas,
conteúdos, workshops, hoje existe a COMUNIDADE TRIBAL DA VENEZUELA, que é uma organização
que procura acrescentar a cena tribal, apoiando o artista e aos novos
talentos. Antigamente a cena era bastante heterogênea, tinha vários núcleos e
cada um trabalhava separado um do outro, mas com o tempo surgiram situações
negativas que colocaram a cena em um ponto critico que trouxe problemas para
a cena, tanto econômicos como
profissionais e afeitou diretamente as produções das companhias e os
investimentos para as escolas. Com um pouco de sorte e muita organização a cena
conseguiu se juntar para trabalhar pelo bem de todo mundo e agora está dando
ótimos resultados para eles. Além da crise que atravessa hoje o nosso pais, a
cena tem conseguido manter as aulas cheias, igual aos eventos, workshops,
espetáculos e outras produções.
BLOG: Na Venezuela, você era membro da companhia Sombras Tribal, dirigida pela bailarina venezuelana Akzara Martini. Conte-nos um pouco sobre sua experiência e aprendizados com o grupo (aulas, ensaios, eventos/produções, performances).
Poderia escrever mil linhas contando boas experiências com a minha escola de origem. Honestamente, cada momento que eu estive nessa escola foi perfeito.
Quando comecei fazer aulas com Akzara, eu nunca tinha dançado nenhum estilo que tinha a ver com dança do ventre; e o que me apaixonou do estilo SOMBRAS foi essa fusão poderosa e sutil que envolve o seu estilo: a dança urbana, a dança do ventre e o tribal. É realmente uma fusão perfeita! O estilo sombras é um estilo único no mundo inteiro e muito fácil de identificar.
Eu fui parte da quinta tribo que entrou na escola, mas a escola inteira sempre foi (e ainda é) uma tribo gigante! Naquele momento em que eu fazia parte, tinha umas 80 bailarinas e elas não demoraram em me fazer sentir parte da família Sombras.
Akzara Martini, além de uma grande artista, é uma professora muito responsável, pontual, paciente, comprometida e justa. Ela é um exemplo de formação de qualidade e uma apaixonada pelos estudos. Até hoje ela estuda constantemente muito, assistindo até as aulas que são ministradas por outros professores na própria escola dela.
As produções do Sombras Tribal são parte das maiores produções de dança do pais, recebendo cerca de mil pessoas cada ano para assistir e prestigiar a escola. A equipe de produção é muito completa. Akzara é quem dirige os espetáculos, mas tem coordenadores em distintas áreas da produção e que tornam realidade as ideias dela e sempre acabam superando o nível de expectativa do público. Todas as produções da escola tem sido um sucesso na cena tribal venezuelana.
Eu tive a oportunidade de participar como elenco nos convites especiais que teve Sombras Tribal em shows de música, premiações de bandas de rock, aniversários de produtoras musicais e encontros de danças urbanas, árabes e fusões. Cada experiência com Sombras Tribal foi maravilhosa e acho muito importante destacar que devo a minha base e formação à Akzara Martini e à Escola Sombras Tribal. Espero sempre poder dançar novamente com a minha mestra e com as minhas irmãs da tribo. Sempre levarei com orgulho e muito agradecida o "Selo de Sombras" na minha dança e na minha vida.
BLOG: Na Venezuela, você era membro da companhia Sombras Tribal, dirigida pela bailarina venezuelana Akzara Martini. Conte-nos um pouco sobre sua experiência e aprendizados com o grupo (aulas, ensaios, eventos/produções, performances).
Quando comecei fazer aulas com Akzara, eu nunca tinha dançado nenhum estilo que tinha a ver com dança do ventre; e o que me apaixonou do estilo SOMBRAS foi essa fusão poderosa e sutil que envolve o seu estilo: a dança urbana, a dança do ventre e o tribal. É realmente uma fusão perfeita! O estilo sombras é um estilo único no mundo inteiro e muito fácil de identificar.
Eu fui parte da quinta tribo que entrou na escola, mas a escola inteira sempre foi (e ainda é) uma tribo gigante! Naquele momento em que eu fazia parte, tinha umas 80 bailarinas e elas não demoraram em me fazer sentir parte da família Sombras.
Akzara Martini, além de uma grande artista, é uma professora muito responsável, pontual, paciente, comprometida e justa. Ela é um exemplo de formação de qualidade e uma apaixonada pelos estudos. Até hoje ela estuda constantemente muito, assistindo até as aulas que são ministradas por outros professores na própria escola dela.
As produções do Sombras Tribal são parte das maiores produções de dança do pais, recebendo cerca de mil pessoas cada ano para assistir e prestigiar a escola. A equipe de produção é muito completa. Akzara é quem dirige os espetáculos, mas tem coordenadores em distintas áreas da produção e que tornam realidade as ideias dela e sempre acabam superando o nível de expectativa do público. Todas as produções da escola tem sido um sucesso na cena tribal venezuelana.
BLOG: Conte-nos um pouco sobre suas principais performances. O quê a
inspirou para a formulação da parte conceitual e técnica das mesmas, assim como
seus processos de elaboração dos figurinos e maquiagens. Como essas
coreografias repercutiram na cena tribal?
Um dos meus performances favoritos
até hoje tem sido a interpretação e tributo à Deusa Kali. Acho que em nenhum
momento faltou inspiração, pelo contrario, durante a construção das ideias tive
até que fazer descarte de algumas ideias. Escolhi essa performance como
favorita pelo valor emocional que representa para mim, essa foi a minha
primeira apresentação com as minhas próprias alunas no Brasil e o modo que elas conseguiram entender, apoiar cada ideia e concordar com tudo foi quase como mágica. Além disso, foi um grande desafio para todas, pois era a minha primeira turma, elas
estavam começando um nível iniciante de tribal e o evento aconteceria em 3
meses. Depois de semanas de trabalho duro, um pouco antes do evento
eu desliguei as luzes da sala e fiquei sentada só olhando elas fazerem a
coreografia. Fiquei arrepiada, literalmente, pelas mulheres que eu
estava conhecendo nesse momento.E no dia do evento a conexão entre elas e eu
foi incrível. Uma experiência única.
A inspiração para os figurinos foi
uma construção de imagens e de interpretações da Deusa, mas decidi fazer uma
base para todas e deixar que os detalhes surgissem de cada uma delas. Eu adoro
fazer os meus próprios figurinos, conservo eles como se fossem meus filhos.
BLOG: Atualmente, aqui no Brasil, você também é membro do Asgard Tribal Co., dirigido
por Aerith Asgard, Cia Obscure Fusion,
dirigido por Gilmara Cruz e
professora na escola de dança de Curitiba “Flor de Lótus”. Como surgiu a oportunidade de participar
desses grupos? Conte-nos sobre suas experiências em participar desses grupo, o
estilo de cada um, como você conseguiu adequar seu estilo e como são desenvolvidas
as coreografias em conjunto?
Acho que essa á a minha pergunta
favorita!
Em ordem cronológica, no ano passado
quando cheguei no Brasil a primeira coisa que eu fiz foi procurar escolas de
tribal na cidade. Não foi fácil, porque não tem escolas só de tribal, então tive
que começar uma pesquisa das bailarinas e através delas encontrei aulas com
várias professoras.
![]() |
| Asgard Tribal |
![]() |
| Obscure Fusion |
Com a Gilmara foi diferente. Ela foi
quem me encontrou: um dia chegou uma mensagem ao meu facebook, com
cumprimentos e uma "boas vindas" muito fofa. A Gil tem estado me apoiando o tempo
todo, pois sempre está me convidando para os seus eventos, para as aulas, oficinas,
workshops, nunca falta no meu telefone uma mensagem dela com palavras sempre de
apoio e irmandade. Esse ano ela me convidou para ser parte da cia Obscure Fusion que tem uma base ritualística e, na verdade, é a primeira vez que
participo desse estilo. Ainda assim, a companhia tem me ensinado outra cara do
dark fusion, pois é um estilo que eu ainda estou conhecendo e agradeço que seja da
mão de uma direção como a da Gil. A gente consegue por as ideias com facilidade nas coreografias e o mais
importante é que as coreografias tem um pouco de cada bailarina integrante da
companhia. Esse ano debutei com elas no Solstício das Deusas de inverno 2018 e
foi um experiência maravilhosa.
![]() |
| Estúdio Flor de Lótus |
Flor de Lótus representa
varias coisas para mim. Naquela pesquisa de escolas de tribal que eu empreendi no
ano passado, apareceu nas minhas primeiras opções o estúdio Flor de Lótus como
uma das escolas exponentes das danças orientais na cidade. Eu imediatamente
escrevi uma mensagem para eles pedindo informação sobre as aulas de tribal, mas
justamente nesse momento não estavam abertas as aulas de tribal na escola. A
minha vontade era de fazer aulas com a Sara Félix ou com a Lua Arasaki que foram professoras de tribal no estúdio, mas no momento elas não estavam
disponíveis. Pouco tempo depois surgiu a oportunidade para eu dar uma aula
experimental na escola, o que representeou um grande desafio para mim: dar uma
aula para a Suzi Ribeiro, quanta responsabilidade! Mas nesse mesmo dia foi
oferecido um horário e uma sala para mim e até hoje continuam as minhas aulas
regulares no estúdio. Esse foi só o começo de uma amizade com a família do Flor
de Lótus e de grandes oportunidades. O estúdio é um universo artístico em cada
centímetro do espaço e em todos os sentidos, adoro ser parte dessa equipe e
agradeço sempre ao destino por ter me colocado nesse caminho com eles.
BLOG: Em 2018, você participou da audição para integrar o FB Dance
Company, grupo de dança de Curitiba. Conte-nos um pouco sobre o estilo e
direção do grupo. Compartilhe com a gente um pouco sobre suas experiências
sobre o processo seletivo. Quais expectativas em se apresentar com essa Cia?
Quem me conhece sabe o muito que eu
sou apaixonada pelas danças urbanas e as fusões. Eu conheci a FBDC assistindo
no instagram vídeos dos melhores bailarinos de dança urbana do Brasil, fazendo ênfase nos bailarinos curitibanos. Fiquei ligada com o trabalho da companhia e
até fiz uma aula de jazz com a Ray no
final do ano passado para conhecer o trabalho dela.
![]() |
| FB Dance Company |
No mês de julho desse ano, a
companhia fez uma chamada para audições e eu fiquei meio em choque com aquilo
porque, na verdade, era como um sonho pensar em formar parte dessa companhia.
Chegou o dia e eu fiz a minha inscrição.
![]() |
| FB Dance Company |
Durante as audições conheci
participantes muito bons em distintos estilos, jazz, contemporâneo, hip hop,
bracking, krump, ballet, mas eu era a única pessoa formada principalmente em
dança do ventre. Fiquei realmente insegura, mas tentei manter a confiança nas
minhas habilidades com a dança urbana... A audição teve várias etapas, umas mais
técnicas e outras mais livres. O que eu mais amei da audição foi que eles
pediram para todos os participantes simplesmente serem eles mesmos. Ao final da
audição fiquei surpresa com o resultado: fui admitida na companhia e até
agora estou vivendo um sonho com eles.
Já tive uma primeira experiência com eles num espetáculo e posso dizer que nunca conheci profissionais nem bailarinos como eles. Somos pessoas que treinamos muito e que deixamos o coração na dança.
BLOG: Como você encara a fusão entre metal/rock e dança do
ventre/tribal?
Para
mim é uma fusão perfeita porque não existe nada melhor que dançar a música que
a gente gosta. Eu sempre tive o rock/metal como preferência musical e dançar
ela é deixar o corpo fluir. Eu acredito que para dançar, mais que só
técnica, deve existir uma ligação sentimental ou espiritual com a música e o
rock representa muito o que eu gosto de expressar quando danço: força, segurança,
poder e muita energia.
BLOG: Você já se apresentou junto com algumas bandas? Qual a
sintonia entre banda (música), bailarina (dança) e público? Como o público
underground encara o tribal fusion? Existe alguma banda nacional ou
internacional que você gostaria de ter tal parceria?
Eu ainda não tive a oportunidade de dançar com bandas ao vivo, mas tenho uma ideia bastante boa ao respeito.
Sombras Tribal costuma fazer esse
tipo de colaborações com bandas e já tem um repertorio com bandas nacionais
venezuelanas em eventos de metal/rock. Eu sempre acompanhei os eventos nos que
participaram e sempre achei uma boa aceitação por parte do público e das produtoras
de eventos desse tipo. Com o tempo os produtores procuraram acrescentar as
colaborações entre dança e eventos musicais. Até teve, há um mês atrás, um espetáculo
de dança organizado por Sombras Tribal completamente com música ao vivo, feita
por uma banda exponencial venezuelana que faz covers de clássicos e sucessos do
rock/ metal.
Eu gostaria muito de participar
junto com algumas bandas também; acho que sendo fã de algumas, eu adoraria
colaborar com elas num show. Mas também seria interessante participar em
eventos de música eletrônica, é uma ideia que tenho em mente e espero algum dia
ter essa oportunidade.
BLOG: Qual a sua relação com o gothic/dark fusion? Como você encara a cena gótica inserida na dança do ventre/tribal? Sob sua óptica, o quê é dark fusion?
O
dark fusion, desde a minha perspectiva, é a fusão do desconhecido. A
escuridão, a ausência, são agentes desconhecidos para os olhos, mas dentro de
cada pessoa existem esses territórios não explorados, muitas vezes pelo medo de
si mesmos, e outras vezes pelos preconceitos e a falta de interesse. Sendo explorados
ou não, existem. Acho que o dark fusion sendo parte do tribal, da dança e da
arte, é liberdade de expressão; a expressão das pessoas que decidiram mostrar
essa outra cara deles ao mundo e transformar essa escuridão no que eles
decidiram, como força, medo, energia, poder, melancolia, fúria, tristeza e até
sentimentos positivos. O dark fusion é parte do equilíbrio e eu respeito muito
essas pessoas que largaram os preconceitos, os medos e os autojulgamentos para
tirar aquilo de dentro deles e fazer disso arte.
BLOG: Atualmente, muitas bailarinas do tribal fusion estão saindo um
pouco do rótulo e fazendo várias experimentações. Como você encara as fusões
experimentais? Quais fusões você tem mais interesse em desenvolver em sua
dança? Qual a principal diferença entre esse tipo de dança e o tribal / dark
fusion? Qual principal cuidado que o estudante de tribal deve ter ao querer
apresentar esse tipo de performance?
Eu
estou completamente a favor das fusões, acho maravilhosa a liberdade de
expressão; mais ainda no tribal, a arte é liberdade. Sei que o tribal e todas as danças
tem formatos, algumas regras e muitas técnicas, mas a mistura delas é bastante
interessante. E eu acho que fala muito do que um bailarino tem em mente, das
suas visões e capacidades. O poder para misturar técnicas, respeitando cada
estilo e ampliar as possibilidades, não é um trabalho fácil, ele precisa de um
estudo dos estilos e de muita responsabilidade, conexão e compromisso com os
objetivos, mas principalmente a exploração e a intenção de criar. Na minha opinião é realmente o artístico na
dança.
Eu
como dançarina e apaixonada por alguns estilos de dança, gosto sempre de
misturar técnicas e movimentos que praticamente o corpo e a música me pedem,
parte da dança urbana, do jazz e o tribal, principalmente, são os estilos
principais que sempre vou estar trabalhando nas fusões.
Eu
penso que sem importar a raiz nem a similitude das danças, a mágica e, precisamente, a conexão delas, acho que nesse ponto é onde começa o trabalho da
fusão. Então é importante conhecer cada estilo: a princípio, por separado e
quando o corpo e a mente tenham compreendido e assumido os movimentos, pode
começar a exploração das fusões livremente.
BLOG: Em 2018, você participará pela primeira vez do Underworld
Fusion Fest, em Curitiba-PR, no Brasil. Quais suas expectativas para a esta
quarta edição? O quê os participantes do evento podem esperar do seu workshop?
Como você está se preparando para sua performance no Espetáculo “Trevas:
A origem da escuridão”?
Estou
bastante animada com esse evento. Já falei que eu conheci o Underworld Fusion Fest como um dos maiores eventos de dark fusion do Brasil. E acho uma grande
oportunidade de estudo para todos os bailarinos de tribal porque ele reúne os principais exponentes nacionais e internacionais por valores realmente
acessíveis.
Estou bastante animada com a oportunidade e com o conteúdo que preparei especialmente para esse evento, é um conteúdo aberto a qualquer nível de tribal onde o principal objetivo é dar forma ao que desconhecemos de nós mesmos. Aproveito para convidar a quem tiver a oportunidade de assistir, ficarei feliz com a presença de vocês.
Estou muito inspirada trabalhando na minha participação para o espetáculo, tanto no meu solo quanto na da companhia Asgard Tribal, ensaiando a cada semana com as minhas companheiras, misturando ideias, movimentos, elementos e muitas surpresas que só poderão conhecer até a data do evento. Mas com certeza é algo bom!
Estou bastante animada com a oportunidade e com o conteúdo que preparei especialmente para esse evento, é um conteúdo aberto a qualquer nível de tribal onde o principal objetivo é dar forma ao que desconhecemos de nós mesmos. Aproveito para convidar a quem tiver a oportunidade de assistir, ficarei feliz com a presença de vocês.
Estou muito inspirada trabalhando na minha participação para o espetáculo, tanto no meu solo quanto na da companhia Asgard Tribal, ensaiando a cada semana com as minhas companheiras, misturando ideias, movimentos, elementos e muitas surpresas que só poderão conhecer até a data do evento. Mas com certeza é algo bom!
BLOG: Recentemente, o intercâmbio entre as bailarinas sul-americanas vem se intensificado. O quê você acha sobre essa troca de culturas, experiências e relações entre as tribal dancers? O que podemos aprender umas com as outras? O quê você acha que podemos melhorar nessa relação e como alcançar tal objetivo? O quê mais chama a sua atenção na cena tribal brasileira?
Eu
acredito que todo mundo tem algo para ensinar e algo para aprender. E em
relação ao tribal fusion, muito mais, pois sendo um estilo que abraça outros estilos e além da visão introspectiva de cada bailarina, a troca de conhecimentos é praticamente infinita,
ainda quando é a mesma fusão, sempre existem as visões que cada bailarino
aborda os temas. Quando a troca cultural e social vem junto, acaba sendo muito
mais interessante. América Latina é um continente muito colorido culturalmente, pois cada país tem uma história e por mais que sejamos países-irmãos, somos todos completamente diferentes. Se os nossos países trabalhassem sempre unidos, a
cena ficaria enriquecida e fortalecida,
sempre que dependesse de mim eu apoiaria o intercâmbio latino-americano e mundial.
Em
quanto a cena tribal brasileira, eu tinha um preconceito positivo: os
brasileiros dançam muito bem! E quando eu cheguei no Brasil, só conferi essa
ideia! Com certeza é verdade. Acho que além do domínio de técnicas, os
brasileiros tem uma essência para dançar que vai mais lá do treinamento,
conseguem se apropriar da música e da sua dança com muita naturalidade, e acho
que isso é parte da sua cultura, mais do que simples estudos de dança. Então
repetirei: sempre que dependesse de mim, eu apoiaria o intercâmbio cultural.
BLOG: Em relação aos eventos,
quais as principais diferenças marcantes na cena tribal brasileira e venezuelana?
Se você pudesse importar alguma(s) característica(s) desses eventos do Brasil
para Venezuela e da venezuela para o Brasil, quais seriam?
Acho que tem duas diferenças importantes ou
mais destacadas. Uma delas é o tamanho da cena que,sem dúvida, a brasileira é
muito maior, tem uma grande variedade de fusões, estilos, formatos, eventos,
encontros, intercâmbio, é realmente muito grande em comparação com a cena
tribal venezuelana.
A outra diferença seria o alcance, sendo que esse não
depende só da cena, pois a situação politica e econômica na Venezuela tem prejudicado
bastante a arte em geral. A Venezuela, por essas causas, tem ficado fora de muitas
colaborações, intercâmbios, experiências e participações com outros países de latino-americanos e até dentro do mesmo país. Os eventos e escolas tem sofrido consequências econômicas e paralisação por falta de recursos. Ainda assim, procura-se resgatar a cena e
proteger os artistas integrantes. Na Venezuela surgiu uma organização incrível
onde absolutamente todos os exponentes do tribal (ATS® e tribal fusion) tem
participação; é uma irmandade que apoia as escolas, eventos e o intercâmbio. Além disso, há o cuidado em valorizar o artista como profissional, até hoje é assim e os
bailarinos venezuelanos conseguem manter a cena viva e organizada.
Se tivesse que escolher pontos positivos da
cena brasileira e levar para Venezuela, seria a quantidade de fusões e o
intercâmbio que tem no Brasil, além dos recursos maravilhosos dos que dispõem
para as produções de eventos.
E se tivesse que escolher um pontos positivos
da cena venezuelana e trazer para o Brasil, sem dúvida, seria a organização
grandiosa que surgiu da comunidade de tribal venezuelana.
Fora do conceito original e
técnico que conhecemos do tribal fusion, acho que o tribal fusion é um estilo
que estourou os limites! Ele misturou culturas,
tradições, sociedade, história e infinitos estilos de dança. O tribal fusion é
um dos estilos com maior liberdade para criar e sendo um estilo cheio de
muitos estilos, ele acaba abrindo milhões de possibilidades no mundo da dança.
A mistura das bases técnicas do tribal com outros estilos formaram uma chave
incrível para o controle corporal, muscular até mental.E indo além: acho o estilo
perfeito para o autoconhecimento das habilidades físicas e espirituais de quem
o dançam.
BLOG: O quê você mais gosta no tribal fusion?
Sem dúvida, as milhões de possibilidades para
criar. A sutileza com a que ele encaixa com quase qualquer estilo de dança e a
possibilidades de participar como um estilo alternativo dentro de outros tipos
de dança. E fora das técnicas e conceitos, a irmandade! Acho um aspecto que
faz do tribal fusion um estilo único.
Mais
que um estilo, eu falaria da minha proposta, ela não tem uma direção única. Na verdade, eu me considero uma pessoa muito exploradora, gosto de muitos estilos e
sempre estou curiosa com aqueles que ainda não conheci e, sempre que puder, vou
fazer laboratórios de todos eles com o tribal! É algo que me apaixona e me dá liberdade, não fecho as possibilidades que o tribal oferece; mas tenho estilos
favoritos com os que costumo trabalhar, como o street dance, o jazz e o
contemporâneo. Pratico eles por separado e misturo eles na construção das
minhas coreografias e até no freestyle.
BLOG: Como você se expressa na dança?
BLOG: Como você se expressa na dança?
Se tivesse que generalizar, penso que eu me
expresso de muitos modos, mas na minha dança sempre vão encontrar liberdade,
força e energia. Gosto de trabalhar sempre sobre essas expressões, mas também
depende dos conceitos que esteja trabalhando no momento, pois cada performance
tem uma vibe que a caracteriza. Porém, esses três aspectos que mencionei descrevem
bastante o modo que eu me expresso na dança.
BLOG: Sobre sua carreira, qual/quais seu momento tribal favorito ou
inesquecível?
Tenho
vários, para não dizer que todos os meus momentos no tribal são favoritos, mas tem
um destaque nesses, e foi a minha primeira participação no palco com Sombras Tribal. Esse dia entendi que a dança é para quem está dançando e não para quem está
olhando, foi maravilhoso compartilhar o palco com umas pessoas que eu admiro
muito, e ter a honra de representar pela primeira vez a escola onde eu iniciei a minha formação.
Para
esse ano tive mais projetos na realidade que na minha cabeça! Esse ano foi um
ano de muito trabalho para mim porque estava praticamente conhecendo a cena
tribal brasileira e, ao mesmo tempo, participando nela, mas até hoje estou
muito agradecida com as pessoas que eu achei aqui, elas tem representado um
foco mostrando-me o caminho e me apoiando desde o ano passado.
Esse
ano eu tinha vários projetos, como conhecer bailarinas de destaque da cidade,
estudar com elas, participar de eventos e workshops regionais e ajudar na
organização do Underworld Fusion Fest; e tudo está encaminhado à meta. Além disso, surgiram novos projetos com a dança urbana e o contemporâneo e estou levando
tudo simultaneamente nesse último trimestre do ano.
BLOG: Improvisar ou coreografar? E por quê?
BLOG: Improvisar ou coreografar? E por quê?
Improvisar,
porque quando o corpo atua acima da música é quando surgem as melhores
ideias. Às vezes até lamento não filmar os meus momentos de improviso, esqueço
tudo quando acaba a música; mas até para coreografar, eu sempre começo com
improviso, o meu corpo responde à música e começa a criação.
BLOG: Você trabalha somente
com dança?
Não, além de bailarina sou arquiteta, mas
em ordem de prioridades espirituais é o contrário: sou arquiteta além de
bailarina. Adoro o design, transformar ideias em possibilidades e
possibilidades em realidade. A arquitetura também é arte e técnica; e as metodologias
dos processos criativos que eu aplico nessa profissão, encaixa perfeitamente na
minha metodologia de ensino e de aprendizado na dança.
BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog.

























0 comentários